Após quase um ano, Jeffrey Herlings volta ao topo do pódio na classe MXGP

Após quase um ano, Jeffrey Herlings volta ao topo do pódio na classe MXGP

RedaçãoMotoX.com.br: Lucidio Arruda – Fotos: Ray Archer / Pascal Haudquert / ShotbyBavo / Youthstream

O Mundial de Motocross passou pela Turquia, para a realização da 17ª e penúltima etapa da temporada 2019. Com os títulos definidos nas classes principais e uma viagem terrestre relativamente longa para a fronteira oriental da Europa, deixou muitas das equipes menores em casa, já pensando na organização para o ano que vem.

Mesmo sem a disputa pelos títulos e com presença limitada no gate, as corridas foram interessantes e com muita gente querendo mostrar serviço. Antes de falar sobre as provas em Afyon, vale uma observação sobre o ano na classe principal. Duas coisas chamaram a atenção: a primeira foi o grande número de pilotos de molho em algum momento na temporada. Não preciso repetir que todo mundo já sabe que é um esporte de risco e as lesões fazem parte, mas novamente a utilização de motocicletas 450 volta a ser questionada.

Outra coisa a notar foi a renovação de talentos na classe. A “geração Cairoli”, que disputou com o italiano a maioria de seus títulos passa a perder espaço para uma nova geração. Pilotos como Clement Desalle, Gautier Paulin, Jeremy van Horebeek (não vou nem falar de Kevin Strijbos ;-)) dividiram o protagonismo com nomes como Jeremy Seewer, Arnaud Tonus, Pauls Jonass, Ivo Monticelli e o próprio Tim Gajser, que apesar dos dois títulos com a 450 tem ainda apenas 22 anos.

Corridas na Turquia

Após quase um ano Jeffrey Herlings voltou a vencer uma etapa do Mundial de Motocross. O campeão de 2018 ficou fora da primeira metade da temporada por uma lesão no pé sofrida antes do início do campeonato. Fez a primeira aparição apenas na Rússia (8ª etapa) e na etapa seguinte e, Kegums, Letônia, já tinha praticamente a sua velocidade plena. Porém uma queda no warm-up, com o consecutivo atropelamento por Arminas Jasikonis, o deixou com uma pequena fratura no tornozelo. Herlings ainda venceu a bateria, mas no intervalo para segunda percebeu que alguma coisa não estava bem e teve que ficar mais seis GPs em casa.


Jeffrey Herlings

Herlings voltou na suécia, etapa passada, veloz, mas notoriamente sem ritmo de corrida. O fôlego não durava mais que 20 minutos na tocada dos ponteiros. Duas semanas depois sua forma já estava bem melhore foi capaz de vencer as duas baterias na Turquia. A segunda de maneira emocionante com uma ultrapassagem sobre o conterrâneo Glenn Coldenhoff na última volta.

“Vencendo de novo! Desde 2010 eu ganho pelo menos um GP todo ano e agora são dez temporadas para a KTM e 85 vitórias juntos! Foi uma temporada acidentada este ano, mas quero agradecer a toda a equipe da Red Bull KTM e a todos os meus patrocinadores. Foi uma montanha-russa com muitas baixas, mas pelo menos estamos tentando terminar o ano com uma nota alta. Eu queria vencer aqui com um 1-1 e encontrei o lugar perfeito para passar Glenn e fazer acontecer. Nosso objetivo é estar no pódio novamente na última rodada.”


Glenn Coldenhoff

A fase final da temporada de Glenn Coldenhoff tem sido fantástica. São oito baterias chegando entre os três primeiros (3 vitórias) e quatro pódios em GPs consecutivos. Pouca gente se lembra do acidente seríssimo que Coldenhoff sofreu na pré-temporada, com fraturas em algumas vértebras. Seu início de campeonato foi em câmera lenta, mas Coldenhoff pontuou em todas as baterias e se colocarmos seus pontos por etapa num gráfico veremos um traço linear ascendente. Começou chegando entre os 20 primeiros, 15, 10 e agora entre os três!

Coldenhoff perdeu a vaga na equipe de fábrica da KTM, mas continua com vínculos fortíssimos com a marca que garantiu sua presença em uma equipe satélite e deve repetir o mesmo no ano que vem. Por certo ângulo a mudança foi boa para Glenn, que passou tanto pelas tendas da equipe De Carli , na Itália, como de Dirk Gruebel, na Holanda, mas sempre esteve à sombra dos primeiros pilotos, tanto Cairoli como Herlings. Deixou de ser príncipe em uma grande reino para se tornar rei num menor. Com 100% do foco de sua equipe Standing Construct acredito que pode surpreender muita gente ano que vem, mesmo sem um equipamento 100% de fábrica.


Tim Gajser

Parece que os ares turcos não fizeram muito bem a Tim Gajser, que teve uma “recaída” após vários GPs sob controle. O campeão comprou terreno em todas as corridas da etapa, tanto na classificatória no sábado, como nas duas baterias no domingo. E você sabe, as quedas de Tim Gajser são no estilo Tim Gajser, sempre espetaculares. Do sábado para domingo recebeu doses extras de massagens para se sentir em forma no domingo. Apesar das quedas ainda foi quarto geral no GP, mais que razoável para quem está com o título no bolso.


Pauls Jonass

Pauls Jonass brilhou em várias corridas ao longo da temporada, mas a regularidade ainda é um problema para o letão campeão da MX2 em 2017. Chegou quatro vezes em segundo lugar, mas ficou fora dos dez primeiros em dez oportunidades e abandonou outras duas ocasiões. Parece estar mais centrado nesta reta final e na Turquia conquistou o segundo pódio consecutivo.


Jeremy Seewer

Algum drama ainda rola na decisão pelo vice-campeonato. Jeremy Seewer poderia ter fechado a fatura, mas quedas nas baterias impediram que conquistar os necessários 7 pontos a mais do que Gautier Paulin. Ambos marcaram os mesmos 31 pontos na etapa e a decisão fica para China, como todos os prognósticos apontando para o suíço. Somente uma catástrofe será capaz de reverter os 43 pontos.

Problemas no Warm Up


Tommy Searle

E a Kawasaki ficou sem moto oficial nas corridas MXGP em Afyon. Depois de perder Julien Lieber e Clement Desalle ao longo da temporada, a fábrica recrutou Tommy Searle da BOS GP para as etapas finais. Porém o britânico sofreu uma queda no warm-up e ficou sem condições de competir. Que eu me lembre é o terceiro piloto de fábrica no ano que fica fora de ação por acidentes no warm-up, supostamente apenas uma treino de aquecimento, sem nenhum resultado prático em termos de pontuação ou escolha do gate. Além de Herlings em Kegums, Ben Watson (Yamaha MX2) também se machucou no warm-up há alguns GPs. Nesta sexta-feira a Kawasaki comunicou que Searle não corre na China, assim o time oficial na classe MXGP está fora da final.

MX2 – Super Prado continua seu domínio, van de Moosdjik é um piloto para ficar de olho


Jorge Prado

Jorge Prado vai se despedindo da categoria MX2 com estatísticas de fazer inveja até para um tal de Jeffrey Herlings. Em três temporadas completas o jovem piloto encerra sua fase na categoria com dois título mundiais e nada menos que 30 GPs vencidos, por enquanto. Herlings conquistou seu primeiro título no terceiro ano completo, sem dominar da mesma maneira que o espanhol.

Será interessante observar sua transição para a 450, mas acredito que não demorará muito para brigar por vitórias na nova categoria. Após a final na China no próximo domingo, já passa a dedicar-se completamente à nova máquina, que estreia no Motocross das Nações, em outubro.


Jago Geerts

O belga Jago Geerts foi o segundo geral na etapa e abriu três importantes pontinho em relação a Tom Vialle na disputa pelo terceiro lugar. O segundo posto já está garantido para o dinamarquês Thomas Kjer Olsen, que sofreu uma intoxicação alimentar e ficou de fora das corridas principais.


Roan van den Moosdijk

O destaque da etapa, porém, foi o novato Roan van den Moosdijk, terceiro colocado geral em sua estreia no campeonato. Piloto campeão do Europeu EMX250 2019, começou o Mundial com o pé direito e mostrando muito potencial, principalmente numa pista complicada como a da Turquia, que derrubou muita gente com suas valetas duras, profundas e irregulares. O holandês tem contrato com a FH Racing Kawasaki para o ano que vem.


Gustavo Pessoa

O GP da Turquia não foi dos mais animadores para o Gustavo Pessoa, que ficou fora da zona de pontuação na primeira bateria e abandonou a segunda após uma queda que danificou sua moto. O futuro do brasileiro no campeonato ainda é incerto e, provavelmente dependerá do patrocínio brasileiro – a ASW Racing é um dos patrocinadores da equipe – para permanecer na Bike It Dixon Racing Team. A equipe ainda não anunciou seus pilotos para a próxima temporada, mas já deixaram vazar que um será australiano. Provavelmente o norte-americano Daria Sanayei não continua.

Coutney Duncan campeã feminina


Courtney Duncan

Na categoria feminina a equipe de Steve Dixon teve sorte diferente. A neo zelandesa Courtney Duncan, depois de passar batendo na trave em várias oportunidades, garantiu o título na primeira bateria turca. Das dez baterias disputadas pelas meninas, Duncan venceu nada menos que nove e fechou a temporada com 36 pontos de vantagem sobre a holandesa Nancy van de Ven.

Fonte: Motox